Mês: julho 2026

Refrigerante, TV preto e branco, televisinho e memória afetiva.

Durante boa parte do século passado, abrir uma garrafa de refrigerante era muito mais do que matar a sede. Era participar de um ritual que reunia família, amigos e vizinhos em bares, lanchonetes, festas de aniversário ou nas antigas sessões de cinema de rua.

Entre as marcas que marcaram época está o Crush, especialmente o tradicional sabor de laranja. Hoje praticamente ausente das prateleiras brasileiras, o refrigerante continua vivo na memória de quem cresceu entre as décadas de 1960 e 1990.

Criado nos Estados Unidos em 1911, o Orange Crush conquistou consumidores em diversos países e também encontrou espaço no Brasil, onde foi produzido por diferentes fabricantes ao longo das décadas. Com suas garrafas de vidro e campanhas publicitárias marcantes, tornou-se parte da paisagem das cidades e do cotidiano de milhões de pessoas.

Produtos e marcas que ficaram na lembrança

Naquela época, o mercado brasileiro de refrigerantes era muito mais diversificado. Além das grandes multinacionais, existiam inúmeras fábricas regionais. Marcas como Crush, Grapette, Mirinda, Gini, Teem e tantas outras disputavam espaço nas geladeiras, nos bares e nas mercearias de bairro.

Os comerciais de televisão vendiam muito mais do que uma bebida. Vendiam juventude, férias, amizade e momentos felizes. O refrigerante aparecia como a recompensa depois de um jogo de futebol, de um passeio em família ou de uma tarde com os amigos.

Talvez por isso tantas pessoas ainda se lembrem do Crush, mesmo décadas depois de seu desaparecimento em escala nacional. O que permanece não é apenas o sabor, mas todo o contexto em que ele fazia parte da vida.

A mão boba e os cines drive-ins

No cinema, o Crush nunca alcançou a presença de gigantes como a Coca-Cola. Ainda assim, sua imagem integra o universo visual das antigas lanchonetes americanas, dos drive-ins, dos postos de gasolina e dos cinemas de bairro.

Uma simples garrafa sobre um balcão pode transportar o espectador imediatamente para outra época.

Os antigos drive-ins também ficaram famosos por outro motivo: a lendária “mão boba”. Muito antes dos aplicativos de namoro, os carros estacionados diante da tela tornaram-se cenário de muitos

romances. Enquanto o filme passava, nem sempre a atenção estava voltada para a projeção. A brincadeira entrou para o folclore popular e ajudou a transformar os drive-ins em um dos maiores símbolos da juventude e do namoro nas décadas de 1950, 60 e 70.

Na literatura também existem referências interessantes. O escritor norte-americano Tim Dorsey publicou o romance Orange Crush, enquanto a escritora chinesa Yiyun Li utilizou o mesmo título para um ensaio autobiográfico em que o refrigerante representa memória, descoberta e transformação cultural. Nesses casos, a bebida deixa de ser apenas um produto para se tornar símbolo de uma época.

Mas talvez a maior importância cultural do Crush esteja justamente nas lembranças que desperta.

TV preto e branco e televisinho

Quem viveu aqueles anos provavelmente também se recorda das garrafas retornáveis, das tampinhas metálicas, das geladeiras de bar repletas de gelo e dos encontros em frente à televisão.

Era o tempo do “televizinho”, quando quem não possuía aparelho ia assistir à novela ou ao futebol na casa do vizinho. Muitos ainda lembram da primeira televisão em cores da rua, enquanto a maioria assistia aos programas em preto e branco. Alguns até colocavam folhas plásticas coloridas sobre a tela para dar a impressão de que a imagem era colorida.

Essas pequenas lembranças mostram que a cultura popular não é construída apenas por grandes filmes, livros ou obras de arte. Ela também nasce dos objetos mais simples do cotidiano.

Um refrigerante pode contar a história da publicidade, da televisão, das embalagens, dos bares, da convivência entre vizinhos e dos hábitos de consumo de uma geração inteira.

O Crush pode não ocupar mais espaço nas gôndolas dos supermercados brasileiros, mas continua presente em fotografias antigas, coleções, anúncios de época e, principalmente, na memória afetiva de milhões de pessoas.

Mais do que uma bebida, ele se tornou um símbolo de um Brasil que talvez não volte, mas que permanece vivo nas histórias de quem teve o privilégio de vivê-lo.

Desocupados na ORTVWEB e o espaço para a cultura regional.

Antes mesmo da estreia, o Desocupados já conquistou espaço entre os programas mais descontraídos da região de Jundiaí e Várzea Paulista. Agora, essa irreverência ganha uma nova janela de exibição: a partir de 23 de julho, toda quinta-feira, às 20 horas, a ORTVWEB passa a apresentar uma versão gravada e editada do programa, ampliando ainda mais o alcance desse projeto que une entretenimento, cultura e bom humor.

A ORTVWEB segue ampliando sua programação com conteúdos produzidos de forma independente e anuncia mais uma importante novidade para seu público.

Apresentado por Eduardo Fortes, o Duzão, e Michela Giarola, a Mica, o programa reúne entrevistas, música, cultura, humor e muito improviso, criando um ambiente leve e acolhedor para artistas, convidados e espectadores. A proposta é simples: conversar, divertir e valorizar pessoas que fazem a diferença em suas áreas de atuação.

O Desocupados nasceu na Rádio Pôr do Sol FM 91,9, de Várzea Paulista, onde é transmitido ao vivo todas as terças-feiras, levando ao público uma mistura de bate-papo, entretenimento e participação de convidados ligados à música, ao teatro, ao cinema e às mais diversas manifestações culturais.

Na ORTVWEB, o público poderá acompanhar uma versão cuidadosamente gravada e editada, preservando toda a espontaneidade do programa, mas com uma edição dinâmica que torna cada episódio ainda mais agradável para assistir.

A chegada do Desocupados representa também um importante passo na missão da ORTVWEB de abrir espaço para produções independentes de qualidade, aproximando diferentes iniciativas culturais e fortalecendo a produção audiovisual regional.

Para a ORTVWEB, essa parceria vai muito além da exibição de um programa.

Existe uma ligação especial entre o Desocupados e a história recente da CINE KUA NON e da ORTVWEB.

Os estúdios da Rádio Pôr do Sol FM serviram como uma das locações do longa-metragem “O Combinado Não é Caro: Pacto entre Canalhas”, produção dirigida por Luiz Cesar Rangel, reforçando a integração entre rádio, cinema e televisão independente.

Essa proximidade tornou natural o surgimento da parceria, reunindo profissionais que acreditam na produção cultural realizada com criatividade, colaboração e paixão pelo audiovisual.

Duzão e Mica conduzem cada edição com muita personalidade.

O improviso é uma das marcas registradas da dupla, permitindo que as conversas aconteçam de forma espontânea, criando momentos divertidos e, muitas vezes, inesperados.

Ao lado dos apresentadores, artistas, músicos, atores, produtores culturais e convidados especiais compartilham histórias, experiências e curiosidades, aproximando ainda mais o público do universo da cultura regional.

Em uma época em que boa parte do entretenimento busca formatos excessivamente engessados, o Desocupados aposta justamente no contrário.

A leveza das conversas, o bom humor e a autenticidade transformam cada programa em uma experiência diferente.

É exatamente essa identidade que a ORTVWEB deseja oferecer ao seu público.

Nossa proposta sempre foi construir uma programação diversificada, capaz de reunir cinema, documentários, música, entrevistas, produções independentes e programas de variedades.

A chegada do Desocupados fortalece esse compromisso e amplia as opções de entretenimento para quem acompanha nossa programação.

Convidamos todos os espectadores a prestigiar essa estreia e conhecer um programa que valoriza o talento regional, incentiva a cultura e mostra que boas ideias podem nascer da criatividade, da amizade e da vontade de fazer diferente.

Marque na agenda:

Estreia: 23 de julho

Toda quinta-feira

20 horas

Exclusivamente na ORTVWEB.

Prepare-se para boas conversas, muita música, convidados especiais e inúmeras risadas.

Porque, quando cultura e descontração se encontram, o resultado só pode ser um: um programa feito para quem gosta de se divertir sem abrir mão de conteúdo de qualidade.

Seja muito bem-vindo ao universo do Desocupados.

Agora também na ORTVWEB.

Viralatas da Cultura: por que tantos brasileiros desconfiam de seus próprios escritores?

Viralatas da Cultura: por que tantos brasileiros ainda desconfiam de seus próprios escritores?

Quando pensamos em literatura de terror e suspense, nomes como Stephen King, Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e Bram Stoker costumam surgir imediatamente. São autores extraordinários que conquistaram reconhecimento mundial e influenciaram gerações de leitores.

Mas uma pergunta merece reflexão: por que conhecemos tão pouco os escritores brasileiros que produzem ficção, especialmente nos gêneros terror, suspense e fantasia?

O Brasil possui uma tradição literária rica e um número crescente de autores independentes que publicam romances, contos e coletâneas de excelente qualidade. Muitos investem recursos próprios para escrever, revisar, diagramar, divulgar e distribuir suas obras, enfrentando um mercado altamente competitivo e dominado por grandes editoras internacionais.

Ainda assim, não é raro encontrar leitores que demonstram resistência em relação à ficção produzida no país. Em muitos casos, o julgamento acontece antes mesmo da leitura da sinopse ou de um capítulo de amostra. A nacionalidade do autor parece pesar mais do que a própria qualidade da obra.

Esse comportamento revela uma curiosa contradição. Durante décadas, mesmo sem conquistar uma Copa do Mundo, a Seleção Brasileira continuou sendo tratada como uma potência do futebol mundial. A confiança foi mantida graças à história construída por gerações de grandes jogadores.

Na cultura, porém, muitas vezes ocorre o inverso. Antes mesmo de conhecer um livro, um filme ou uma peça produzidos no Brasil, parte do público já parte da ideia de que a obra estrangeira será superior.

Essa atitude lembra o chamado “complexo de vira-lata”, expressão criada por Nelson Rodrigues para descrever a tendência de parte dos brasileiros de valorizar mais aquilo que vem de fora do que o que é produzido dentro do próprio país.

É claro que nem toda obra nacional será excelente, assim como nem todo best-seller estrangeiro merece o sucesso que alcança. A qualidade de uma obra deve ser medida por sua narrativa, seus personagens, sua capacidade de emocionar e provocar reflexão — e não pelo país onde nasceu seu autor.

No gênero do terror, o Brasil possui um potencial extraordinário. Nosso folclore, nossas cidades históricas, lendas regionais, crenças populares e conflitos sociais oferecem um universo rico para histórias originais e inquietantes. O medo brasileiro possui identidade própria e não precisa ser uma cópia do modelo norte-americano ou europeu.

Valorizar autores nacionais não significa abandonar os grandes escritores internacionais. Pelo contrário: significa ampliar o repertório e reconhecer que boas histórias podem nascer em qualquer lugar.

Cada livro adquirido, cada avaliação publicada e cada indicação feita a um amigo ajudam um escritor independente a continuar produzindo e enriquecem o cenário cultural brasileiro.

Talvez o maior desafio da literatura nacional não seja a falta de talento, mas a falta de oportunidade. E essa realidade só muda quando os leitores decidem conhecer uma obra antes de julgá-la.

A cultura brasileira sempre revelou grandes talentos. Talvez esteja na hora de olharmos para eles com a mesma confiança que, durante tantos anos, dedicamos aos nossos ídolos do esporte.

Afinal, grandes histórias não têm nacionalidade. Elas apenas esperam encontrar leitores dispostos a abrir a primeira página.

Acompanhe os posts deste blog.

ORTVWEB lança cartão digital

ORTVWEB lança cartão digital com QR Code para facilitar o acesso à programação

A ORTVWEB acaba de lançar mais uma novidade para aproximar o público de sua programação: um cartão digital com QR Code que permite acessar o player da emissora de forma rápida e prática.

A iniciativa faz parte da estratégia de ampliar a presença da ORTVWEB em eventos culturais, festivais de cinema, encontros de produtores, redes sociais e materiais institucionais, tornando o acesso ao canal cada vez mais simples.

Com apenas um celular em mãos, basta apontar a câmera para o QR Code e, em poucos segundos, o espectador será direcionado ao player da ORTVWEB, podendo acompanhar gratuitamente uma programação diversificada que reúne filmes, séries, documentários, produções independentes, programas culturais e conteúdos musicais.

Mais do que um recurso tecnológico, o cartão digital representa uma nova forma de apresentar a ORTVWEB ao público. Em vez de memorizar endereços ou realizar buscas na internet, o acesso acontece de maneira direta, rápida e intuitiva.

A novidade também será utilizada em apresentações institucionais, reuniões com parceiros, ações de divulgação, materiais promocionais e campanhas nas redes sociais. A expectativa é que o QR Code se torne uma porta de entrada permanente para novos espectadores.

A ORTVWEB acredita que democratizar o acesso ao audiovisual também passa por eliminar barreiras tecnológicas. Quanto mais simples for assistir à programação, maior será o alcance das produções independentes e dos conteúdos culturais exibidos pelo canal.

Nos próximos meses, outras ferramentas voltadas à experiência do público também serão incorporadas à plataforma, sempre buscando oferecer praticidade, estabilidade e qualidade na transmissão.

Se você ainda não conhece a ORTVWEB, esta é uma excelente oportunidade.

Procure nosso cartão digital, escaneie o QR Code e descubra uma programação pensada para quem valoriza o cinema, a cultura e o entretenimento.

ORTTVWEB – A webTV mais divertida da internet.

Uma WEBTV em constante evolução

ORTVWEB: uma WebTV em Constante Evolução.

Construir uma WebTV independente é muito mais do que colocar um player no ar. É um processo diário de aprendizado, inovação, evolução e superação de desafios. A cada novo ajuste, a ORTVWEB dá mais um passo em direção ao objetivo de oferecer uma experiência cada vez melhor para quem acompanha nossa programação.

Nos últimos meses, a evolução tem sido constante. Cada nova funcionalidade implementada representa uma barreira vencida e um importante avanço técnico. O resultado desse trabalho é uma plataforma mais estável, moderna e preparada para crescer junto com seu público.

A ORTVWEB transmite conteúdos 24 horas por dia, oferecendo uma programação diversificada para diferentes perfis de espectadores. O compromisso é reunir entretenimento, cultura e informação em um único espaço, valorizando tanto produções consagradas quanto conteúdos independentes.

Nossa programação inclui filmes clássicos e contemporâneos, produções independentes, videoclipes, documentários, programas culturais e conteúdos voltados ao universo da literatura. É uma proposta que busca ampliar o acesso à cultura e oferecer alternativas ao público que procura algo diferente da programação convencional.

Outro aspecto importante é que toda essa evolução acontece de forma independente. Cada melhoria implementada nasce da dedicação em pesquisar novas tecnologias, testar soluções, corrigir problemas e aperfeiçoar continuamente a experiência de quem acompanha a ORTVWEB.

Recentemente, novos recursos foram incorporados ao site, tornando a navegação ainda mais intuitiva. Agora, os visitantes podem acompanhar a transmissão ao vivo diretamente pela página inicial, aproximando ainda mais o público da programação diária da emissora.

Mas esse é apenas mais um capítulo dessa história. A tecnologia evolui rapidamente e a ORTVWEB acompanha esse movimento, sempre buscando novas formas de entregar conteúdo com qualidade, estabilidade e praticidade.

Nos próximos meses, novas novidades estão sendo preparadas. Melhorias na programação, novos programas, conteúdos exclusivos e outras inovações fazem parte do planejamento para consolidar a ORTVWEB como um espaço dedicado ao cinema, à cultura, à música, à literatura e ao audiovisual independente.

Mais do que uma WebTV, a ORTVWEB é um projeto construído com paixão, perseverança e a certeza de que sempre é possível evoluir.

A cada dia uma inovação.

A cada inovação, um novo aprendizado.

E a cada aprendizado, a confirmação de que estamos no caminho certo.

A ORTVWEB segue no ar, 24 horas por dia, levando filmes, música, literatura, cultura e entretenimento para espectadores de todo o Brasil e do mundo.

Editais culturais e a barreira para a democratização da cultura.

Muito se fala sobre a necessidade de ampliar o acesso aos recursos destinados à projetos culturais. Leis de incentivo, editais públicos e programas de patrocínio são instrumentos fundamentais para fortalecer a produção artística brasileira. Entretanto, existe uma questão que raramente entra no debate: a complexidade crescente dos processos de inscrição.

Quem nunca participou de um grande edital talvez imagine que basta apresentar uma boa ideia. Na prática, a realidade costuma ser bem diferente.

Formulários extensos, dezenas de campos obrigatórios, exigência de planos de comunicação detalhados, estratégias de relacionamento institucional, indicadores de impacto, ações de acessibilidade, sustentabilidade, formação de público, contrapartidas, gestão de riscos, cronogramas minuciosos e uma longa lista de documentos fazem parte da rotina de muitos processos seletivos.

Naturalmente, patrocinadores e órgãos públicos precisam de critérios para avaliar os projetos e garantir transparência na aplicação dos recursos. Esse cuidado é legítimo e necessário.

O problema surge quando a complexidade do processo passa a exigir conhecimentos técnicos que vão muito além da criação artística.

Hoje, não basta ser um bom escritor, cineasta, músico, produtor cultural ou diretor de teatro. Em muitos casos, também é preciso dominar gestão de projetos, comunicação institucional, marketing, planejamento estratégico, captação de recursos, elaboração de indicadores e até design de apresentações.

Na prática, isso acaba favorecendo organizações que já possuem equipes especializadas ou recursos para contratar consultorias.

Enquanto isso, pequenos produtores independentes, muitas vezes responsáveis por projetos culturalmente relevantes, enfrentam enorme dificuldade apenas para concluir a inscrição.

O resultado é um cenário em que excelentes ideias podem ficar pelo caminho antes mesmo da etapa de avaliação de mérito.

Talvez seja o momento de discutir modelos mais inclusivos.

Uma possibilidade seria criar categorias específicas para pequenos produtores, coletivos culturais e novos realizadores, com processos simplificados e valores compatíveis com projetos de menor porte.

Nem toda iniciativa cultural precisa disputar milhões de reais.

Em muitos casos, um apoio entre R$ 30 mil e R$ 150 mil seria suficiente para viabilizar documentários, curtas-metragens, livros, festivais locais, exposições, mostras itinerantes e inúmeras ações culturais espalhadas pelo país.

Editais simplificados poderiam ampliar significativamente a participação de novos talentos, descentralizar os investimentos e estimular a produção em regiões que tradicionalmente recebem poucos recursos.

A democratização da cultura não depende apenas do volume de recursos disponíveis.

Depende também da facilidade de acesso a esses recursos.

Quanto mais acessíveis forem os mecanismos de inscrição, maior será a diversidade de projetos apresentados e, consequentemente, mais rica será a produção cultural brasileira.

O desafio está em encontrar um equilíbrio entre o necessário rigor técnico e a efetiva inclusão de quem produz cultura diariamente, muitas vezes com poucos recursos, mas com enorme capacidade criativa.

Fortalecer a cultura também significa tornar seus mecanismos de financiamento mais acessíveis.

Afinal, quando apenas quem domina a burocracia consegue chegar à linha de chegada, corre-se o risco de deixar pelo caminho justamente aqueles que poderiam renovar o cenário cultural brasileiro.

Petrobras anuncia investimentos em projetos culturais

A cultura brasileira se prepara para mais um importante ciclo de investimentos com o lançamento de um novo edital de patrocínio da Petrobras, iniciativa que reafirma o compromisso da empresa com o fortalecimento da produção cultural em todas as regiões do país.

O programa deverá destinar aproximadamente R$ 120 milhões para o financiamento de projetos culturais, contemplando diversas linguagens artísticas e promovendo a democratização do acesso à cultura. Trata-se de uma das maiores iniciativas de investimento cultural do país, reforçando o papel estratégico da economia criativa no desenvolvimento social e econômico brasileiro.

Os recursos serão direcionados a projetos enquadrados principalmente na Lei Rouanet, principal mecanismo federal de incentivo à cultura, permitindo que produtores culturais apresentem propostas voltadas aos mais diversos segmentos artísticos.


Além da Lei Rouanet, também poderão ser contempladas iniciativas relacionadas ao patrimônio cultural, festivais, circulação artística, formação de público, preservação da memória, música, artes cênicas, literatura, museus e audiovisual, desde que atendam aos critérios estabelecidos no regulamento do programa.

No segmento audiovisual, o edital representa uma excelente oportunidade para produtoras independentes desenvolverem longas-metragens, documentários, séries, mostras, festivais de cinema, projetos de difusão audiovisual, ações de preservação de acervos e iniciativas de formação profissional.

Também poderão ganhar espaço projetos voltados à inovação tecnológica, novas formas de distribuição de conteúdo, acessibilidade, inclusão social, diversidade cultural e valorização das manifestações populares brasileiras.

Outro aspecto importante do programa é a busca por projetos que promovam impacto social, geração de emprego, fortalecimento das cadeias produtivas da cultura e ampliação do acesso da população às atividades culturais.

Nos últimos anos, o mercado cultural brasileiro passou por um período de significativa expansão dos mecanismos de incentivo, aumentando as possibilidades para produtores, artistas, organizações culturais e empresas do setor criativo.

Esse cenário exige planejamento cada vez mais profissional por parte dos proponentes, desde a elaboração do projeto até sua execução, prestação de contas e mensuração dos resultados alcançados.

Projetos bem estruturados, com objetivos claros, orçamento consistente e estratégias de comunicação eficientes tendem a apresentar maior competitividade durante os processos de seleção.

Outro fator que costuma ser valorizado é a capacidade de gerar benefícios permanentes para a comunidade, indo além da realização pontual de eventos ou produções culturais.

Questões relacionadas à sustentabilidade ambiental, acessibilidade, inclusão de pessoas com deficiência, diversidade regional e democratização do acesso também vêm ganhando importância crescente nos processos de avaliação.

Para o audiovisual independente, iniciativas como esta representam uma oportunidade de ampliar a produção nacional, incentivar novos realizadores e fortalecer o mercado brasileiro de cinema e televisão.

Festivais, cineclubes, projetos educativos, oficinas de capacitação, ações de preservação da memória audiovisual e programas de formação de público também encontram espaço dentro desse contexto de incentivo.

O fortalecimento das economias criativas regionais é outro dos resultados esperados, contribuindo para descentralizar investimentos e estimular produções em diferentes estados brasileiros.

A expectativa é de que centenas de projetos sejam inscritos, refletindo a diversidade cultural existente no país e a capacidade criativa dos produtores brasileiros.

Para quem pretende participar, é recomendável iniciar desde já a organização da documentação, dos orçamentos, dos cronogramas e dos materiais técnicos necessários para a inscrição.

Uma boa apresentação pode fazer diferença na avaliação, demonstrando maturidade, viabilidade e potencial de impacto da proposta.

A ORTVWEB acompanhará todas as etapas do edital, divulgando informações, prazos, orientações e novidades que possam auxiliar produtores culturais, cineastas e demais profissionais da economia criativa.

Em um momento de retomada e fortalecimento do setor cultural brasileiro, programas de incentivo como este reafirmam que investir em cultura significa investir em educação, inovação, identidade, geração de renda e desenvolvimento para todo o país.