A Eleição da Direita Brasileira em 2026
O artigo a eleição da direita brasileira é uma publicação do colaborador Prof. Mestre Marcelo de Carvalho e não representa necessariamente o pensamento da editoria do blog. Contudo, este é um espaço democrático de debate de ideias sejam elas políticas, culturais, econômicas ou sociais.
A Eleição da Direita Brasileira em 2026:
Diante de um Golem Corrompido e do Facciosismo Institucional (*)
- Introdução
O Brasil atravessa um dos períodos mais delicados de sua história republicana recente. A deterioração atual já não se limita à economia, à política partidária ou à polarização eleitoral. O que se observa é uma crescente sensação de ruptura entre sociedade, instituições e governo, que se vale como Estado. Em diferentes segmentos sociais consolidou-se a percepção de que o cidadão comum perdeu a capacidade de influenciar os rumos nacionais, enquanto estruturas permanentes de poder, como atores que cumprem um papel determinado no sistema, ampliaram sua influência para além dos limites originalmente concebidos pela Constituição.
Ao mesmo tempo, o país mantém potencial diferenciado e extraordinário. O Brasil possui recursos naturais estratégicos, matriz energética privilegiada, capacidade alimentar incomparável e um dos maiores mercados internos do planeta. Poucas nações possuem, simultaneamente, produção do agronegócio em larga escala, água, energia, território, biodiversidade, minerais e posição geopolítica relevante.
Entretanto, esse potencial convive com um sistema de insegurança institucional crescente, fragmentação social e uma disputa política que passou a assumir contornos existenciais.
Na conjuntura atual, a direita brasileira enfrenta seu maior desafio desde a redemocratização: deixar de operar apenas como força reativa e consolidar um projeto nacional de base viável, institucionalmente consistente e eleitoralmente competitivo.
- O Diagnóstico do Conflito Institucional
A dimensão social
O capital social brasileiro demonstra claros sinais de desgaste.
Nas últimas décadas, consolidou-se um ambiente de crescente fragmentação social e emocional. A política deixou de funcionar apenas como instrumento de representação democrática e passou a ocupar espaço permanente de tensão cultural e identitária. O debate público tornou-se mais agressivo, mais instantâneo e menos racional, especialmente em razão da influência cooptada das redes sociais engajadas e da comunicação política baseada em mobilização emocional. Principalmente, por uma esquerda que sabe adotar sua cartilha histórica, marcada pela firme, insistente e incansável dialética da divisão social e retórica do conflito. Baseada na necessidade constante de dividir a sociedade entre culpados e supostas vítimas históricas, na lógica do ‘eles contra nós’, no estímulo ao vitimismo identitário de minorias, na fragmentação social, na luta permanente entre opressores e oprimidos, enfim da exploração permanente da construção de antagonismos políticos e culturais.
A insegurança urbana agravou ainda mais essa percepção coletiva de instabilidade. Em diversas regiões do país, o cidadão comum passou a conviver diariamente com a sensação de perda gradual da autoridade legítima do Estado diante da expansão territorial e econômica das facções criminosas. Isso gera descrença institucional, medo e sensação de abandono. Pesquisas do Latinobarómetro, do Datafolha e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam queda contínua da confiança popular em instituições políticas tradicionais.
Por outro lado, a necessidade dos entes da federação atuarem para resgatar uma segurança pública com um padrão aceitável, inclusive com a participação de instituições do povo, como por exemplo os Conselhos de Segurança, já colocou alguns entes federativos com indicadores de segurança semelhantes ou melhores aos dos EUA.
Ao mesmo tempo, parte significativa da população passou a perceber crescente distanciamento entre elites políticas, judiciais e burocráticas em relação às demandas reais da sociedade. Essa percepção alimenta o avanço do conservadorismo popular, não apenas como posicionamento ideológico, mas como reação à sensação de desordem social e perda de referências estruturais.
A insegurança pública transformou-se em elemento cotidiano. Facções criminosas expandiram sua influência na malha econômica e territorial. O cidadão comum sente-se vulnerável, enquanto parcelas do Estado aparentam incapacidade estrutural para enfrentar o crime organizado de forma duradoura. Pior, a sensação disseminada na população que tem a percepção de uma relação estranha e inexplicada entre o governo atual e tais organizações criminosas.
Paralelamente, o debate público tornou-se radicalizado. O espaço da mediação política diminuiu. Redes sociais passaram a funcionar como arenas permanentes de conflito emocional. A confiança nas instituições caiu significativamente.
O resultado é um país cansado, desconfiado e emocionalmente tensionado.
A dimensão econômica
Apesar das dificuldades, o Brasil preserva vantagens estratégicas únicas.
Poucos países no mundo possuem simultaneamente disponibilidade hídrica, capacidade agrícola, matriz energética limpa, reservas minerais, extensão territorial e mercado consumidor interno de grande escala. Em um contexto internacional marcado por conflitos geopolíticos, inflação e reorganização das cadeias produtivas, o Brasil consolidou-se como ator relevante para a estabilidade alimentar global.
O agronegócio brasileiro tornou-se um dos pilares centrais dessa posição estratégica. A produção nacional de alimentos, proteína animal e comodities agrícolas transformou o país em fornecedor essencial para diversas economias. Muito disso impulsionado pela pesquisa da EMBRAPA, a partir da década de 1970, assim como outros institutos de pesquisa agropecuária, que viabilizaram os solos sob cerrado. Mais do que setor econômico, o Agro passou a representar instrumento de projeção geopolítica.
Entretanto, o país continua operando abaixo de seu potencial. A excessiva complexidade tributária, o ambiente regulatório instável, a insegurança jurídica e a burocratização crescente limitam investimentos e reduzem competitividade. Em muitos casos, o sistema estatal consome parcela significativa da energia econômica nacional, dificultando expansão produtiva, industrialização e geração sustentável de riqueza.
O agronegócio consolidou-se como principal diferencial competitivo brasileiro no cenário internacional. Em um mundo pressionado por guerras, inflação alimentar, insegurança energética e reorganização das cadeias globais, o Brasil tornou-se fornecedor essencial de alimentos, proteína animal, minerais e energia e ainda tem muito potencial para aumentar o valor agregado desses produtos dentro do país.
Enquanto diversas economias enfrentam escassez estrutural, o Brasil possui capacidade de expansão produtiva. Essa condição transforma o país em peça relevante da geopolítica global. Contudo, persistem entraves históricos, excesso regulatório, insegurança jurídica, judicialização econômica, complexidade tributária, baixa produtividade industrial e dependência fiscal.
O país cresce abaixo de seu potencial porque parte relevante de sua energia econômica é consumida pelo próprio sistema estatal.
Segundo dados da Embrapa, da FAO e do Banco Mundial, o Brasil consolidou-se como potência alimentar global e tende a ocupar posição ainda mais relevante nas próximas décadas, especialmente diante da reorganização das cadeias globais de produção e da crescente insegurança alimentar internacional.
Destaca-se que, se estabelecidas as condições mínimas de produção, o nosso agronegócio tem condições de produzir o dobro de grãos em 4 anos e chegar a 1 bilhão de ton/ano em menos de 10 anos. Mesmo sem aumentar a área cultivada e sim a produtividade. Assim, o Brasil conquistará a mais importante posição estratégica alimentar no mundo.
A dimensão política
A crise política brasileira deixou de ser apenas eleitoral. Ela tornou-se institucional.
O que se observa atualmente é uma crescente tensão entre representação popular, funcionamento das instituições e percepção pública de legitimidade, mais grave ainda, de legalidade. O presidencialismo de coalizão demonstra sinais de esgotamento, enquanto a judicialização da política passou a ocupar espaço cada vez mais central na dinâmica nacional.
Temas que historicamente pertenciam ao debate legislativo ou político passaram a ser decididos frequentemente no âmbito judicial. Isso produziu aumento da percepção de desequilíbrio institucional entre os poderes da República. Parte significativa da sociedade passou a enxergar expansão contínua da influência judicial sobre áreas tradicionalmente vinculadas ao Executivo e ao Legislativo. O ponto central do debate não é negar a importância constitucional do Judiciário, mas discutir os limites entre interpretação constitucional e atuação política. Chegou-se ao ponto em que o próprio presidente da República admitiu abertamente que não poderia governar sem o judiciário.
O foco da discussão não está em questionar a relevância constitucional do Judiciário, mas sim em analisar a fronteira entre o exercício da função jurisdicional e o protagonismo político. Executivo e Legislativo possuem legitimidade derivada diretamente do voto popular. O Judiciário, embora essencial à preservação da ordem constitucional, possui legitimidade de natureza distinta. Parte do pensamento admite que o judiciário não se constitui um poder, pois não emerge do povo, mediante voto do cidadão, como resta exclusivamente ao legislativo e executivo. Quando essas fronteiras se tornam pouco claras, cresce inevitavelmente o desgaste, entre instituições e sociedade.
- O Debate Sobre o STF e o Ativismo Judicial
O Supremo Tribunal Federal tornou-se o principal centro gravitacional do debate político brasileiro contemporâneo. Na percepção de parcela significativa da população, a Corte deixou de atuar apenas como guardiã constitucional e passou a exercer influência crescente sobre dinâmica eleitoral, funcionamento parlamentar, comunicação digital e relações entre poderes. Isso produziu crescente politização da própria percepção pública sobre o Judiciário.
Em democracias constitucionais maduras, cortes supremas exercem papel contramajoritário importante, porém limitado e excepcional. Quando decisões judiciais passam a ocupar continuamente o centro da disputa política nacional, inevitavelmente surge debate sobre equilíbrio institucional, autocontenção, legitimidade e, mesmo, legalidade democrática. A consequência natural é o desgaste institucional.
Autores como Oscar Vilhena Vieira passaram a utilizar expressões como “supremocracia” para descrever o aumento do protagonismo institucional do STF, pois persiste e impõe em acumular a autoridade de intérprete da Constituição e passa a exercer amplas funções políticas e legislativas, sobrepondo-se e controlando os outros poderes.
É nesse contexto que crescem propostas de reforma institucional voltadas à redefinição das competências da Suprema Corte, limitação de decisões monocráticas, estabelecimento de mandatos para ministros, composição específica por juízes de carreira e fortalecimento do caráter, exclusivamente, constitucional do tribunal. O objetivo dessas propostas seria reduzir tensões entre poderes e restaurar maior previsibilidade institucional.
A proposta central seria transformar o STF, exclusivamente, em uma câmara constitucional, deixando ao sistema judicial ordinário as competências estritamente judiciais.
- O Golem Corrompido e o Facciosismo Institucional
As sociedades frequentemente criam estruturas destinadas a proteger a ordem, garantir estabilidade e preservar instituições. Entretanto, a história demonstra que sistemas de poder podem desenvolver dinâmicas próprias de autopreservação, gradualmente se afastando de suas finalidades originais.
Aplicado ao debate político contemporâneo, recorre-se a conceitos da tradição e mitologia que ajudam a explicar a percepção social de que determinadas estruturas institucionais passaram a depender da ampliação permanente das tensões políticas e jurídicas para justificar crescimento de poder, protagonismo e influência.
Nessa abordagem, a metáfora de um “Golem corrompido” representa precisamente essa transformação. Originalmente concebido como instrumento de proteção do sistema, por exemplo de arquétipo de poder, o Golem (tradição judaica) passa a operar segundo lógica própria que, ao se corromper, transforma-se num Rakshasa (tradição hindu) dentro do sistema, dependendo da desordem e degradação para se sustentar, que se alimenta e cresce pela deterioração, conflito e instabilidade que produz no ambiente ao seu redor.
Aplicado ao debate institucional moderno, o conceito descreve estruturas ou arquétipos dentro dessa estrutura que passam a depender da expansão permanente do conflito para justificar ampliação contínua de poder.
Nesse contexto é oportuno se trazer à discussão outra categorização que é a sociopolítica. Valendo-se, desta feita, do “facínora faccioso”, que está no agente político ou social que atua de forma desleal, agressiva ou mesmo ilícita em favor de sua facção. Utiliza-se da manipulação, perseguição, distorção narrativa ou violência política para atingir objetivos partidários ou ideológicos.
Além desse, surge o “faccioso institucional”, que não é apenas um indivíduo com preferências políticas, mas alguém que instrumentaliza instituições — Estado, Judiciário, imprensa, universidades, burocracias, organismos públicos, em favor de uma facção, entendido como atuação percebida como seletiva, politizada ou direcionada dentro das próprias estruturas de Estado. Não se trata apenas de parcialidade política comum, mas da percepção de utilização seletiva de instrumentos institucionais para influenciar disputas políticas, econômicas e sociais. Quando isso ocorre, a confiança pública começa a se deteriorar.
A correlação entre ambos está no fato de que os dois subordinam princípios universais à lógica da facção. A diferença é de escala e de posição: o facínora faccioso opera como militante agressivo ou agente sectário, degradando o debate político; e o faccioso institucional opera a partir das estruturas de poder e legitimidade do sistema, comprometendo a confiança nas instituições.
Em síntese e historicamente, quando facínora faccioso e faccioso institucional passam a se reforçar mutuamente, tende a surgir um ambiente de polarização radical, seletividade jurídica e erosão da credibilidade pública.
- As Alternativas Estratégicas da Direita Brasileira
A direita brasileira alcançou relevância eleitoral inédita após 2018. Entretanto, ainda enfrenta desafio em consolidar projeto nacional estável e duradouro, transformando indignação social em capacidade efetiva de reorganização nacional.
Nesse sentido, vislumbra-se que a direita brasileira pode se valer de alternativas, sob os indicadores de prioridade e viabilidade, tendo a sua disposição cinco caminhos principais.
- Reconstrução institucional conservadora
Prioridade: Muito Alta e Viabilidade: Média
Essa alternativa busca reorganizar o Estado por meio de reformas institucionais, fortalecimento federativo, segurança jurídica e recuperação do equilíbrio entre poderes.
É provavelmente a estratégia mais sólida no longo prazo.
- Coalizão liberal-conservadora ampla
Prioridade: Alta e Viabilidade: Alta
Consiste em unir conservadores, liberais, agronegócio, evangélicos, classe média e setor produtivo.
Seu objetivo seria construir maioria eleitoral consistente.
- Direita puramente reativa
Prioridade: Média e Viabilidade: Média
Baseia-se apenas no confronto contínuo contra o sistema.
Possui alta mobilização emocional, mas baixa sustentabilidade institucional.
- Fragmentação interna da direita
Prioridade: Muito Baixa e Viabilidade: Média
A disputa entre grupos conservadores, liberais e personalistas favorece diretamente os adversários políticos. O chamado “fogo amigo” tornou-se um dos principais problemas estratégicos do campo conservador. Setores da chamada “direita limpinha” frequentemente concentram energia em disputas internas, enquanto relativizam problemas estruturais associados à esquerda política, ao crescimento do aparato estatal e ao ilícito de governo, já anestesiado pelo tempo. Essa atuação dos limpinhos da direita fez com que parte considerável da direita raiz se reassumissem, agora como Bolsonaristas, para não haver dúvidas sobre seus propósitos e não aceitação da justificativa “mas ele fala palavrão”.
O resultado é fragmentação narrativa e enfraquecimento eleitoral.
- Reorganização nacional baseada em soberania econômica
Prioridade: Alta Viabilidade: Média
Essa linha propõe fortalecimento industrial, autonomia energética, segurança alimentar, proteção do agronegócio, infraestrutura e soberania tecnológica.
- O Cenário de 2026 e Flávio Bolsonaro
A disputa presidencial de 2026 tende a ocorrer em ambiente de forte fadiga institucional e emocional. Após anos de polarização intensa, parcela significativa da população demonstra cansaço em relação ao conflito permanente entre instituições, mídia, grupos políticos e atores econômicos.
Nesse cenário, a eleição tende a ser menos movida apenas por identidades ideológicas rígidas e mais orientada por temas como estabilidade, segurança, crescimento econômico e previsibilidade institucional. O eleitor médio provavelmente buscará candidatos que demonstrem capacidade de reorganizar o país sem aprofundar permanentemente o ambiente de tensão.
É dentro dessa conjuntura que Flávio Bolsonaro surge como um dos principais vetores estratégicos da direita brasileira. Sua força política deriva não apenas da herança eleitoral do bolsonarismo, mas também da conexão emocional consolidada com a base conservadora, especialmente entre setores ligados ao agronegócio, segurança pública, evangélicos e classe média conservadora.
A eleição de 2026 tende a ser menos ideológica e mais existencial.
A população buscará estabilidade, segurança, previsibilidade, crescimento econômico e redução do conflito institucional.
Nesse contexto, Flávio Bolsonaro surge como um dos principais vetores eleitorais da direita.
Seu capital político deriva de identificação com a base conservadora, continuidade simbólica do bolsonarismo, conexão emocional com parcelas relevantes do eleitorado e presença digital consolidada.
Por outro lado, pode enfrentar alguma resistência em setores moderados e forte pressão midiática.
Sua campanha precisará evitar o aprisionamento permanente na lógica exclusivamente defensiva, o que parece já percebido, pois agora a comunicação mais ativa vem preponderando.
- Estratégia Política Possível
A estratégia mais eficiente para Flávio Bolsonaro seria compatibilizar o eixo central da campanha. Num eixo do conflito emocional permanente, pois tem de responder ao ataque costumeiro que dita a cartilha da esquerda. No outro, os pilares estratégicos da segurança pública, crescimento econômico, defesa institucional, fortalecimento produtivo, liberdade econômica e combate ao crime organizado.
Outra importante estratégia paralela, que vai além do perfil do candidato Flavio Bolsonaro, é deixar claro na sua campanha que o próximo presidente vai escolher 4 novos integrantes da Suprema Corte. Mesmo para o eleitor que não seja de direita ou Bolsonarista essa escolha assume especial importância no combate ao ativismo judicial e ao facciosismo institucional, tão nefastos ao exercício dos poderes constitucionais.
A comunicação precisa combinar firmeza, racionalidade, linguagem popular, capacidade de contra-ataque e disciplina narrativa.
- O Caso do Vazamento de Áudio
O episódio envolvendo vazamento de áudio produziu desgaste político no começo. Entretanto, crises políticas modernas raramente são definidas apenas pelo fato inicial. O elemento decisivo costuma ser a forma como a narrativa é reorganizada posteriormente. Nesse sentido, a reação política mais eficiente não seria ampliar dramatizações, mas reposicionar o debate.
Ao defender investigações mais amplas, como a CPI ou CPMI relacionada ao caso do banco, Flávio Bolsonaro pode deslocar a discussão do plano individual para o plano sistêmico.
Essa movimentação possui potencial estratégico porque reorganiza a narrativa, mobiliza a base, amplia o campo de confronto político e dificulta isolamento pessoal.
- O Encontro com Trump
O encontro por convite de Donald Trump ao Flávio Bolsonaro tem enorme valor simbólico, pois representa aproximação com a direita internacional, reforço da legitimidade política externa, fortalecimento do discurso conservador global e sinalização geopolítica.
Contudo, seria erro estratégico tratar esse encontro como solução definitiva. A esquerda brasileira continuaria tentando deslegitimar sua candidatura independentemente do resultado diplomático.
O encontro tem grande potencial de fortalecer a campanha, o que se acredita que vai ocorrer. Porém, não substitui a organização política interna, construção programática e capacidade de comunicação nacional.
- O Recall e os Mecanismos de Controle Popular
Uma das discussões que tende a crescer nos próximos anos é a necessidade de ampliação dos mecanismos de controle popular. Entre eles recall, plebiscitos, consultas populares e mecanismos de responsabilização institucional.
O estabelecimento de um poder moderador legítimo, mais que legal, como vital instituto individual ou coletivo para que a sociedade e o Estado possam controlar qualquer poder pernicioso.
A percepção crescente de distanciamento entre Estado e sociedade alimenta, naturalmente, a busca por instrumentos que permitam maior controle democrático.
- Primeiras Medidas de um Possível Governo Conservador de Flavio Bolsonaro
Entre as primeiras medidas prioritárias devem estar:
- segurança jurídica;
- estabelecimento de grupo de notáveis para identificar e estabelecer nulidade às ordens inconstitucionais em 30 dias;
- fortalecimento do agronegócio;
- combate ao crime organizado;
- fortalecimento federativo;
- reforma administrativa;
- simplificação tributária;
- desburocratização;
- política nacional de infraestrutura;
- revisão de excessos regulatórios;
- liberdade econômica.
- Conclusão
A direita brasileira chegou ao momento decisivo de sua maturidade política. A indignação social continua sendo força poderosa de mobilização. Mas, indignação sozinha não constrói estabilidade nacional.
O verdadeiro desafio está em transformar energia política em projeto de poder institucionalmente sustentável. O Brasil possui recursos, território, produção, população e posição geopolítica capazes de transformá-lo em uma das maiores potências do século XXI.
A direita brasileira, ao se consolidar como força política estrutural, precisará superar a lógica exclusivamente reativa e construir projeto nacional mais sofisticado, consistente e institucionalmente sustentável.
Mas, isso dependerá da capacidade de reconstruir confiança institucional, reorganizar o Estado e restabelecer equilíbrio entre representação popular, segurança jurídica e estabilidade política.
O desafio central será transformar energia política em capacidade concreta de reorganização nacional.
A eleição de 2026 poderá representar exatamente essa bifurcação histórica. Mais do que outra disputa eleitoral, 2026 poderá representar disputa histórica sobre qual modelo institucional, econômico e civilizacional o Brasil pretende construir nas próximas décadas.
Ou surgirá uma nova reorganização conservadora capaz de combinar soberania nacional, crescimento econômico, estabilidade democrática e reconstrução da autoridade legítima do Estado, para construir um Brasil de importância geopolítica alimentar mundial – parece-nos que Flavio Bolsonaro representa esse caminho para o Brasil. Ou o sistema continuará aprofundando a lógica permanente de conflito, colapso e esgotamento institucional.
(*) MSc Marcelo de Carvalho Silva. Mestre em Administração Pública pelo ISCTE – Universidade de Lisboa, graduado em Engenharia Agronômica (USP) e Direito (Universidade Católica de Santos), com pós-graduação em Marketing (ESPM) e Metodologia do Ensino Superior, Tutoria e Desenvolvimento Gerencial (FGV). Atuou como gerente nacional no setor financeiro na área internacional, captação e serviços, além de experiência em administração, marketing e estratégia nos setores público e privado. Professor da UnB e atuou na FGV e IBMEC, foi consultor do PQSP e examinador do PQGF. Diretor Geral da FECONSEG-DF, conselheiro em diversas forças de segurança e presidente e diretor de instituições comunitárias, é Oficial da Ordem do Mérito Bombeiro Militar Imperador Dom Pedro II.
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