Parassonia: Síntese, sinopse e análise crítica.
Parassonia: o inferno REM constrói uma narrativa perturbadora que transita entre o jornalismo político, o horror psicológico e a ficção científica, explorando os limites entre vigília e sonho, fé e delírio, desejo e culpa. O conto acompanha Sílvio Batista de Toledo, um jornalista em crise profissional e emocional, assolado por distúrbios do sono, dependência química e frustrações éticas, cuja busca obsessiva por um “furo” de reportagem o conduz a uma pequena e isolada cidade do interior de Goiás: Mariápolis.
A sinopse revela um enredo que se inicia como uma investigação jornalística e gradualmente se transforma em um mergulho onírico e alucinatório. Mariápolis surge como um espaço simbólico, quase mítico, dominado por uma seita liderada por Dalila e suas filhas, figuras femininas que condensam erotismo, sacralidade e ameaça. O suposto surto psicótico que atinge jovens virgens da cidade se revela conectado a crenças em abduções extraterrestres, transferência de energia cósmica e à instrumentalização do corpo feminino como meio de “salvação” do mundo.
A análise crítica evidencia que o conto opera menos no campo da explicação racional e mais na ambiguidade. O leitor nunca tem plena certeza se os acontecimentos são reais, fruto de uma conspiração político-religiosa, ou manifestações extremas da parassonia do protagonista, especialmente durante o estágio REM do sono. Essa indefinição é o eixo central da obra, reforçada pelo desfecho clínico, no qual toda a experiência é enquadrada como um distúrbio do sono monitorado por uma especialista.
Do ponto de vista temático, o texto critica o moralismo religioso, a hipocrisia política, o sensacionalismo da mídia e a exploração da fé como instrumento de poder. A figura do político José João de Paulo funciona como alegoria do discurso messiânico contemporâneo, enquanto o jornalista representa o sujeito moderno esgotado, cuja ética se dissolve sob a pressão do sucesso e da sobrevivência profissional.
Esteticamente, o conto dialoga com o horror psicológico, o erotismo simbólico e a ficção conspiratória, evocando referências ao surrealismo e ao realismo fantástico. Parassonia não busca respostas, mas provoca o leitor a questionar até que ponto a realidade é construída, manipulada ou sonhada — e se, afinal, o verdadeiro inferno não reside na mente em colapso do próprio narrador.
Parassonia é um conto do escritor Orlando Rodrigues que integra a série Sinistro: histórias de terror e mistério disponível na Amazon.
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