Pacto entre canalhas. Entre o roteiro, o filme e a obra literária.

Pacto entre canalhas. Entre o roteiro, o filme e a obra literária.

“Pacto entre Canalhas” é uma obra que mergulha nas sombras da moralidade e expõe, com rara coragem literária, os labirintos éticos e psicológicos que se formam quando a verdade, a culpa e o poder se entrelaçam. Escrito por Orlando Rodrigues, o livro nasce da adaptação do roteiro original de Luiz César Rangel, cineasta e autor do argumento que dá origem ao filme Pacto entre Canalhas: o combinado não é caro, uma produção independente com locações em Jundiaí e Várzea Paulista, prevista para ser lançada no segundo semestre de 2026. A obra cinematográfica é, por sua vez, um remake do longa homônimo já disponibilizado na Claro TV Prime Vídeo e em breve, chegará a outras plataformas de streaming.

A narrativa conduz o leitor por um terreno sombrio, onde os limites entre o bem e o mal, a verdade e a manipulação, se diluem. A história se estrutura a partir do encontro entre Marcos, um jornalista em busca de redenção, e Samuel, um detento de passado perturbador. O diálogo entre os dois se transforma em um embate filosófico, ético e espiritual — um duelo de inteligências e convicções que revela tanto as fragilidades humanas quanto as profundezas do abismo moral.

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Orlando Rodrigues imprime ao texto uma prosa densa, cinematográfica e introspectiva. As descrições minuciosas criam atmosferas que oscilam entre o real e o metafísico, conduzindo o leitor a um estado de inquietação constante. A cada capítulo, a tensão cresce, como se o leitor também estivesse diante de Samuel, sentindo o peso de sua presença e o desconforto que suas palavras provocam.

A partir do roteiro de Rangel — um texto já estruturado para o cinema, repleto de ritmo, diálogos cortantes e subtexto — Rodrigues expande o universo dos personagens, acrescentando reflexões filosóficas e digressões psicológicas que aprofundam a dualidade entre o repórter e o criminoso. O resultado é um híbrido entre romance psicológico e ensaio moral, onde a narrativa em terceira pessoa alterna momentos de ação com monólogos interiores e descrições de alta intensidade simbólica.

Em Pacto entre Canalhas, não há heróis — apenas homens movidos por ambição, culpa, desejo e sobrevivência. Marcos, o jornalista, é um espelho do leitor contemporâneo: cético, racional, mas constantemente desafiado por forças que escapam à lógica. Samuel, por sua vez, encarna o arquétipo do mal inteligente: um homem culto, manipulador e perversamente lúcido, cuja presença ameaça não apenas seu interlocutor, mas também o próprio senso de realidade da narrativa.

O livro aborda temas como fé, redenção, culpa, poder e corrupção moral, sempre permeados por uma tensão quase metafísica entre Deus e o Diabo, justiça e castigo, amor e perversão. A influência da filosofia existencialista e do simbolismo religioso é perceptível, fazendo da obra uma reflexão sobre os pactos — explícitos ou silenciosos — que os seres humanos estabelecem entre si e consigo mesmos.

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A ambientação claustrofóbica do livro, ora em salas de interrogatório, ora em corredores de presídios, remete diretamente à linguagem cinematográfica do roteiro de Rangel, preservada e intensificada por Rodrigues na adaptação literária. A escrita, marcada por longos parágrafos e ritmo oscilante, traduz o fluxo mental dos personagens, oscilando entre lucidez e delírio, racionalidade e fé.

O título, Pacto entre Canalhas, ganha novos significados a cada página. O “pacto” é literal e simbólico, é o acordo entre personagens que sabem demais e se co

mprometem em silêncio — mas também representa o pacto moral que todos fazemos com nossos próprios demônios. A frase que dá subtítulo ao filme, “o combinado não é caro”, ecoa como um lembrete de que todo compromisso tem um preço, e de que a verdade pode ser a moeda mais cara de todas.

A força do texto está justamente nesse confronto entre o humano e o não humano, no jogo de poder que se estabelece não apenas entre Marcos e Samuel, mas entre o leitor e suas próprias crenças. Rodrigues consegue transformar o roteiro em uma experiência literária inquietante, que preserva o ritmo e o impacto visual do cinema, mas aprofunda o conteúdo psicológico e moral dos personagens.

Em síntese, Pacto entre Canalhas é uma obra que desafia o leitor a olhar para o abismo — e, como alertava Nietzsche,

Luiz Cesar Rangel é cineasta, roteirista, produtor, diretor e ator no filme Pacto entre canalhas. O combinado não é caro.

compreender que o abismo também nos observa de volta. É um livro sobre verdades escondidas, sobre a tênue fronteira entre ética e sobrevivência, e sobre o preço que se paga por cada pacto, seja ele com outro homem ou com a própria consciência.

Com essa adaptação, Orlando Rodrigues e Luiz César Rangel firmam um raro exemplo de convergência entre literatura e cinema independente brasileiro — um projeto que extrapola a ficção policial e se torna uma reflexão moral sobre o poder, a fé e o próprio mal, confirmando o potencial artístico e filosófico de uma narrativa que promete ecoar muito além das telas.

A produção do livro e do filme tem o apoio institucional do Instituto ANEE CULTURA e da OR PRODUÇÕES. Assista filmes on line e de graça na ORTVWEB.

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