Quem tem medo do escuro?
“Medo de Escuro: A Mão de Baphomet” é um conto do escritor Orlando Rodrigues que mergulha profundamente nos recônditos da mente humana, explorando os limites entre a realidade e o imaginário. A narrativa acompanha uma protagonista sem nome e sem passado definido, que se vê aprisionada em um labirinto de lembranças fragmentadas e sensações perturbadoras. Sua luta constante para distinguir o real do ilusório cria uma atmosfera de tensão crescente, mantendo o leitor em estado de alerta.
O autor utiliza habilmente técnicas de monólogo interior e fluxo de consciência para revelar os pensamentos mais íntimos da personagem principal. Essa abordagem permite uma imersão total na psique da protagonista, fazendo com que o leitor experimente suas angústias e dúvidas de maneira visceral. As descrições vívidas e os flashes impressionistas contribuem para a construção de um ambiente onírico, onde passado e presente se entrelaçam de forma caótica.
O mito de Baphomet
A simbologia presente no conto é rica e multifacetada. O título faz referência direta a Baphomet, uma figura enigmática que tem sido associada a diversas interpretações ao longo dos séculos. Historicamente, Baphomet foi mencionado durante os julgamentos dos Cavaleiros Templários no século XIV, sendo descrito como um ídolo misterioso. Séculos depois, Eliphas Levi, em sua obra “Dogma e Ritual da Alta Magia”, apresentou uma representação de Baphomet como uma figura andrógina com cabeça de bode, incorporando elementos de dualidade e equilíbrio entre opostos. Essa imagem tornou-se icônica no ocultismo moderno.
No contexto do conto, a mão de Baphomet pode ser interpretada como uma metáfora para o desconhecido e o proibido, elementos que a protagonista teme e ao mesmo tempo é atraída. Essa dualidade reflete sua própria luta interna entre enfrentar seus medos ou sucumbir a eles. A escuridão, tanto literal quanto figurativa, serve como um espelho para suas inseguranças e traumas não resolvidos.
Passado reprimido
A narrativa também aborda temas universais como abandono, culpa e a busca por identidade. O estado mental conflituoso da protagonista decorre de sua dificuldade em se adaptar ao mundo ao seu redor, levando-a a uma espiral de desolação. Fantasmas de seu passado assombram seus pensamentos, mergulhando-a em um universo simbólico onde flashes de memórias felizes e angustiantes se alternam.
A estrutura do conto, com suas passagens fragmentadas e não lineares, espelha a mente tumultuada da protagonista. Essa escolha estilística desafia o leitor a montar o quebra-cabeça de sua história, incentivando uma leitura ativa e reflexiva. As transições abruptas entre diferentes estados de consciência e tempo reforçam a sensação de desorientação, alinhando forma e conteúdo de maneira eficaz.
Labirintos da mente
Em suma, “Medo de Escuro: A Mão de Baphomet” é uma obra que convida o leitor a uma jornada introspectiva pelos labirintos da mente humana. Com uma prosa envolvente e carregada de simbolismo, o autor constrói uma narrativa que permanece com o leitor muito depois da última página, instigando reflexões sobre os medos que habitam nossa psique e a eterna luta entre luz e escuridão dentro de nós.
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