Entre o Sono, o Sobrenatural, a Morte e o Destino.

Entre o Sono, o Sobrenatural, a Morte e o Destino.

O escritor Orlando Rodrigues tem como característica escrever histórias de natureza sobrenatural, suspense e terror psicológico. Suas narrativas são ambientadas pensando em um formato adequado para linguagem audiovisual, ou seja, cinema.

Abaixo estão quatro contos, todos publicados na Amazon, que podem inspirar, amedrontar ou divertir, dependendo do gosto de cada leitor.

1. O Passageiro 17

O Passageiro 17 constrói uma narrativa de terror psicológico que se apoia fortemente no simbolismo numérico, religioso e existencial. O conto parte de uma situação cotidiana — um encontro entre leitores de histórias de terror organizado após a pandemia — para

 gradualmente introduzir uma atmosfera de estranhamento e fatalidade.

A escolha dos nomes dos personagens, muitos deles de origem bíblica, e a insistência no número dezessete funcionam como elementos de prenúncio, preparando o leitor para a revelação final. A pandemia surge como pano de fundo simbólico, reforçando a ideia de sobrevivência, finitude e destino coletivo.

O desfecho é direto e perturbador: a revelação de Asrael como o anjo da morte não apenas encerra a narrativa, mas ressignifica todo o percurso anterior, transformando coincidências em sinais inevitáveis. O conto se destaca pela economia narrativa e pela habilidade em conduzir o leitor a um final abrupto e impactante, típico da tradição do conto fantástico clássico.


2. Parassonia – O Inferno REM

 

Neste conto, o autor mergulha no território do horror psicológico e corporal ao explorar a parassonia como metáfora do aprisionamento entre o consciente e o inconsciente. O texto se constrói a partir da confusão entre sonho, vigília e inferno pessoal, criando uma experiência sensorial intensa para o leitor.

 

A narrativa provoca desconforto ao sugerir que o verdadeiro inferno não é um espaço externo, mas um estado mental do qual o protagonista não consegue escapar. O ritmo fragmentado e a linguagem densa reforçam essa sensação de aprisionamento, aproximando o conto de uma estética quase onírica.

Parassonia – O Inferno REM destaca-se por sua ousadia temática e por tratar o terror não como susto imediato, mas como permanência, angústia e repetição, dialogando com o horror contemporâneo de cunho psicológico.


3. Plataforma 36

Plataforma 36 apresenta uma narrativa marcada pela tensão social e pela metáfora do deslocamento. A plataforma surge

 como espaço simbólico de espera, transição e abandono, onde os personagens se veem presos a um sistema que não controlam plenamente.

O conto trabalha com a sensação de estagnação e inevitabilidade, refletindo questões como exclusão, anonimato e a desumanização das relações urbanas. A ambientação é um dos pontos fortes da narrativa, criando um espaço opressivo que dialoga com o estado emocional dos personagens.

A escrita é contida e precisa, permitindo que o subtexto social se revele de forma gradual, sem didatismo. Trata-se de um conto que utiliza o espaço físico como reflexo de conflitos internos e coletivos.


4. A Plantonista

Em A Plantonista, o autor explora o horror cotidiano a partir do ambiente hospitalar, um espaço tradicionalmente associado à

 vida, mas que aqui se transforma em cenário de tensão, solidão e desgaste emocional. A protagonista, submetida à rotina exaustiva dos plantões, passa a vivenciar situações que flertam com o sobrenatural ou com o colapso psicológico.

O conto se destaca pela construção da personagem central, cuja fragilidade humana é exposta de forma gradual. A ambiguidade entre o real e o imaginado mantém o leitor em constante estado de dúvida, fortalecendo o impacto narrativo.

A narrativa sugere que o verdadeiro terror pode residir no cansaço extremo, na responsabilidade excessiva e no isolamento emocional, tornando o conto especialmente contemporâneo e verossímil.


Considerações finais

Os contos apresentados revelam uma unidade temática marcada pelo terror psicológico, pela simbologia e pela reflexão existencial, ainda que cada narrativa explore caminhos distintos. O autor demonstra domínio do formato curto, habilidade na construção de atmosferas e interesse em provocar inquietação mais duradoura do que o simples susto.

O conjunto dialoga com tradições do fantástico, do horror moderno e da crítica social, evidenciando uma escrita madura, reflexiva e alinhada com questões contemporâneas.

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